domingo, 28 de março de 2010

Estava numa cozinha pequena com um bolinho grande dentro de uma panelona miudinha. Coisa curiosa foi perceber que tudo se encaixava perfeitamente em seu paradoxo singular.
Teto, parede, fogao, pia. Apoio pra cabeca flutuante, encosto pro pe cansado, varinha magica pra matar fome, lagrimas de dor de ter que lavar louca nao usada: respectivamente ao contrario. Tudo tao bem arrumado feito conto de fadas de livro adulto.
Andar de ponta cabeca nao me pareceu problema algum embora o visual capilar de Margie Simpson tenha me incomodado um pouco. No espelho atras do relogio as horas passavam feito segundose eu pude ver nos ponteiros o reflexo atonito de uma moca descalca, vestindo hobby de seda perolado e olhar cintilante, como se vagasse em pensamentos oriundos sabe-se la de onde, sabe-se la sobre o que. Sentei e observei aquela figura nostalgica de aura fluorescente e pensei, por um segundo: que criatura maravilhosa... Sua energia parecia infinita e, embora soubesse que tudo isso podia ser so efeito do sangue me descendo a cabeca, continuei observando...cada vez mais fundo... ate que eu me misturei com ela e ja nao sabia mais se era ela ou eu naquele espaco, se era ela ou eu naquele abraco sem cor: parado feito coisa imaterial, feito crenca que sente o que nao se ve...E ficamos assim pra sempre: eu e ela, ela e eu...uma so pessoa girando no mundo, sem saber onde chegar e sem querer chegar a lugar algum: passear e so o que interessa.